Jason Vogel
Elvis na batida quebrada de "Blue Moon of Kentucky"
ou as ondas de "Rhapsody in Blue", de George Gershwin?
O pop de Steve Miller Band com "Abracadabra" ou a
"Angústia" eterna de Bienvenido Granda? Não importa:
o principal é ouvir mais que buzinas.
A primeira recomendação é para os que vão comprar um automóvel
zero quilômetro. Se a versão desejada não tiver rádio, toca-fitas
ou CD-player, é bom que, pelo menos, já traga de fábrica o kit
de "preparação de som". É um pacote que facilita a
instalação da aparelhagem básica no carro. Inclui fiações, antena,
buracos para alto-falantes, e, em alguns casos, até os próprios
alto-falantes. Às vezes o conjunto é incluído no preço do automóvel,
porém, nos modelos mais baratos, o kit é cobrado como opcional
- em torno dos R$ 120.
Compensa pagar a pela preparação. Isso evita que se tenha que
desmontar carpetes do carro e furar forrações de portas, correndo
o risco desnecessário de deixar o carro com ruídos e entradas
de água. Evita-se também que se corte um fio errado e se danifique
a parte elétrica. Qualquer problema, é só reclamar na concessionária.
Vale lembrar que os componentes que forem afetados em conseqüência
da instalação de equipamentos não originais perdem a garantia
da montadora. Isso inclui curtos-circuitos provocados por ligações
elétricas mal feitas, entrada de água nas portas por causa de
instalações sem vedação correta, surgimento de ruídos nas forrações
e ferrugem nos buracos para passagem de fios.
Para quem já tem um carro sem qualquer preparação, o melhor
mesmo é ter referências de algum instalador, através de um amigo
que já tenha feito o mesmo serviço no carro.
CD-Player ou toca-fitas? Hoje a maioria prefere os disquinhos
digitais - a qualidade do som é sem dúvida superior a dos cassetes.
Há outra vantagem no sistema: não se perde tempo em casa gravando
fitas para ouvir no carro. Mas nem tudo é perfeito: o CD-Player
ainda "pula" quando o carro passa por buracos. Isso
acontece por que a leitura do disco é feita por um feixe de
laser direcionado por uma lente móvel. Dependendo do desnível
no asfalto, a lente oscila, perdendo foco e interrompendo a
música por um ou dois segundos. Nas pancadas mais fortes, o
disco até pára de tocar ou volta para a primeira faixa.
Nos aparelhos mais novos, o problema é menor mais não desapareceu
completamente. Os sistemas de amortecimento têm evoluido e em
aparelhos importados mais caros e sofisticados já existe até
um sistema de memória: quando a lente pula, o som se mantém
sem alterações por cerca de dois segundos até que o foco volte
ao lugar certo.
As disqueteiras (como são chamados os carrosséis de porta-malas)
pulam menos que os CD-players de painel. Alguns aficionados
por som dizem ainda que as disqueteiras para seis discos trepidam
menos que as para doze discos, por exemplo.
Marcas não faltam: as montadoras têm seus fornecedores fixos
para toca-fitas e CD-player. A Ford usa os aparelhos de suas
subsidiária FIC, que também vende para a General Motors. A Volks
era outra que usava os FIC, mas agora compra da Philips argentina.
Já a Fiat prefere os Philco argentinos (no Palio) ou os Alpine
(nas linhas Tempra e Alfa-Romeo). Nas concessionárias, os preços
são altos. O melhor é procurar as lojas especializadas em som,
onde geralmente a conta é menor. No mercado há uma fartura de
marcas:
- Os CD-Players da Pioneer e da JVC custam entre R$ 300 e R$
450 e são os que oferecem a melhor relação custo-benefício para
o consumidor comum - opina Marcelo Motitsuki, que tem uma home
page sobre som automotivo. O aficionado lembra que os competidores
(tribo que promove disputas para saber quem tem o som mais potente
e bem definido) usam aparelhos mais avançados, como Kenwood,
Clarion, Alpine e Nakamichi - este é considerado o "Rolls-Royce
entre os CD-players" e pode custar mais de mil reais.
Uma boa idéia é fazer uma instalação discreta com os aparelhos
comandados à distância. No painel, apenas um rádio comum fica
ao alcance dos olhos. O CD-player de porta-malas é ligado ao
cabo da antena do rádio para enviar o som e tem um módulo de
controle remoto (com todos os comandos necessários) que pode
ficar escondido perto do motorista. Disqueteiras desse tipo
são compatíveis com qualquer rádio FM.
Quanto aos alto-falantes, são muitas as opções. Para os que
se contentam com um som mediano, o ideal são os chamados "kits
originais" para quase todos os carros e que custam cerca
de R$ 110. Feitos por fábricas como Blauline, Bravox, Selenium,
Arlen e Novik, os conjuntos normalmente incluem quatro alto-falantes
coaxiais no tamanho certo para cada automóvel. É mais que o
suficiente para se escutar música baixinho, ouvir o noticiário
ou o jogo de futebol.
Em geral, para obter mais qualidade e potência, se usa um toca-fitas
ou CD-Player comuns, com um amplificador do tipo Power com pelo
menos 40 watts RMS por canal, uma especificação atendidada pela
maioria dos modelos. Os alto-falantes originais, do tipo coaxial,
devem ser substituídos por outros específicos para faixas de
freqüência definidas, que têm nomes como midbass subwoofer,
midrange e tweeter, por exemplo. Uma instalação dessas num Gol,
por exemplo, sai por cerca de R$ 700, não incluindo o CD-player
ou toca-fitas.
Não é muito: os aficionados por som chegam a gastar mais de
R$ 15 mil com instalações nos carros que disputam campeonatos
de som.
- A arte toda é ter no automóvel a qualidade de um ótimo aparelho
de som para casa, com distinção de todas as freqüências. A dificuldade
é que a área interna do carro é pequena, cheia de ressonâncias
e com pouco espaço entre os componentes - explica Motitsuki.